HVAC sala limpa: filtros, pressão e fluxo de ar na prática

· 10 min de leitura · por EMR Construções

Fatos checados: 51 afirmações conferidas em 9 fontes

Área fabril com estruturas, dutos e equipamentos
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O HVAC da sala limpa entrega ar filtrado com eficiência apropriada 1 e mantém pressão positiva e fluxo de ar em relação às áreas vizinhas de grau inferior, em todas as condições operacionais 1. Na IN 35/2019, o valor de referência entre salas adjacentes de graus diferentes é de 10 a 15 pascais 2. A ISO 14644-4 trata a sala limpa do requisito ao projeto, à construção e ao start-up 3, por isso o sistema deve ser pensado e testado junto com ela.

Em uma sala limpa, o sistema de climatização não é um item de conforto. É ele que entrega o ar filtrado, cria a diferença de pressão entre ambientes e leva a contaminação para longe da área crítica. Este artigo explica o que as normas dizem sobre filtros, pressão, fluxo de ar e qualificação, e deixa claro o que as fontes consultadas não definem.

O que o HVAC faz em uma sala limpa?

HVAC é a sigla em inglês para o conjunto de aquecimento, ventilação e ar-condicionado. Na sala limpa, ele cumpre três funções ligadas às BPF (Boas Práticas de Fabricação).

  • Filtrar o ar. A IN 35/2019 diz que as áreas limpas devem receber ar que tenha passado por filtros de eficiência apropriada 1.
  • Manter a pressão. O ar filtrado deve manter pressão positiva e fluxo de ar em relação às áreas vizinhas de grau de limpeza inferior 1.
  • Varrer a área. O mesmo texto pede que o fornecimento de ar varra a área de forma efetiva 1.

A base regulatória brasileira é a RDC 658/2022, de 30 de março de 2022. Ela adota as diretrizes gerais de BPF de Medicamentos do PIC/S como requisitos mínimos para a fabricação de medicamentos 4. A Anvisa também publica um documento de Perguntas e Respostas sobre essa resolução e suas Instruções Normativas 5. Para medicamentos estéreis, a IN 35/2019 exige fabricação em áreas limpas com entrada por antecâmaras para pessoal e/ou equipamentos e materiais 1.

Como a limpeza do ar é classificada?

A ISO 14644-1:2015 classifica a limpeza do ar pela concentração de partículas em suspensão. Ela considera apenas populações de partículas com tamanhos limite de 0,1 µm a 5 µm 6. A classe recebe um número de classe ISO (N), e a concentração máxima permitida para cada tamanho vem da Tabela 1 da norma 7.

As concentrações da tabela são cumulativas. Na ISO Classe 5, por exemplo, o limite de 10.200 partículas em 0,3 µm inclui todas as partículas iguais ou maiores que esse tamanho 7. O HVAC precisa sustentar a classe definida para a sala.

Onde o filtro HEPA aparece de forma explícita?

Para as áreas limpas em geral, o texto da IN pede ar que tenha passado por filtros de eficiência apropriada 1.

Como funciona a cascata de pressão entre salas?

Cascata de pressão é o arranjo em que cada ambiente mais limpo fica em pressão maior que o vizinho menos limpo. O ar tende a sair da área crítica para a área de menor grau, e não o contrário. É a aplicação direta da exigência de pressão positiva em relação às áreas de grau inferior 1.

Qual diferença de pressão adotar?

A IN 35/2019 fixa, como valor de referência, um diferencial de 10 a 15 pascais entre salas adjacentes de graus diferentes 2. O Anexo 1 revisado das BPF da UE (2022) fala em diferença mínima de 10 Pa, como valor guia, entre salas adjacentes de graus diferentes 8. Os dois textos são parecidos, mas não idênticos:

Documento O que diz sobre o diferencial de pressão
IN 35/2019 (Anvisa) 10 a 15 Pa entre salas adjacentes de graus diferentes (valor de referência) 2
Anexo 1 da UE (2022) Mínimo de 10 Pa entre salas adjacentes de graus diferentes (valor guia) 8

Nos dois casos, o número é referência ou guia, e a decisão final depende do projeto da planta.

O que muda nas áreas de maior risco e na contenção?

A IN 35/2019 pede atenção especial aos diferenciais de pressão nas áreas de alto risco, aquelas em que o medicamento ou os materiais em contato com ele estão expostos 1. O Anexo 1 da UE também pede atenção particular à proteção da zona crítica 8.

Há um caso em que a lógica muda. Quando é preciso conter materiais como patógenos, materiais altamente tóxicos, radioativos, vírus vivos e bactérias, as recomendações de suprimento de ar e de diferenciais de pressão podem precisar ser modificadas 1. Nesse tipo de projeto, o arranjo de pressões deve ser definido para o risco que se quer conter.

Como monitorar a pressão?

A IN 35/2019 determina que os indicadores de diferencial de pressão estejam instalados nas áreas onde essa medida for importante 1.

Qual a velocidade do ar no fluxo unidirecional?

O Anexo 1 da UE (2022) indica que os sistemas de fluxo unidirecional devem fornecer velocidade homogênea de 0,36 a 0,54 m/s (valor guia) no ponto de trabalho, salvo justificativa científica 8.

O mesmo documento diz que os estudos de visualização do fluxo de ar devem ser correlacionados com a medição de velocidade 8. Ou seja, não basta medir a velocidade. É preciso também observar o comportamento do ar.

O Anexo 1 ainda pede que a velocidade do ar seja claramente justificada no protocolo de qualificação, inclusive o local da medição 8. Esse ponto liga o projeto do HVAC à qualificação, tema da última seção.

E as trocas de ar por hora, a temperatura e a umidade?

As fontes verificadas para este artigo não trazem um número único de trocas de ar por hora, nem faixas de temperatura e umidade. Por isso, este texto não cita valores. O que as fontes dizem é como o assunto deve ser tratado:

  • A ISO 14644-4:2022 traz checklists de requisitos, projeto, construção e start-up, com parâmetros de desempenho importantes a considerar 3.
  • Ela também identifica abordagens de projeto voltadas à eficiência energética 3.
  • A classe de limpeza deve ser definida em um ou mais de três estados de ocupação 7.

Na prática, vazão de ar, temperatura e umidade entram no projeto como parâmetros a definir a partir do processo, da classe de limpeza e do produto. Esses valores devem ficar registrados nos requisitos do usuário. Quem ouve uma cifra pronta sem essa base está ouvindo uma regra de bolso, não uma exigência.

Por que qualificar o HVAC junto com a sala limpa?

A sala limpa e o HVAC formam um sistema só. Há cinco razões, todas ligadas ao que as normas pedem.

  1. A pressão positiva vale em qualquer condição. A IN 35/2019 exige que ela seja mantida "sob todas as condições operacionais" 1. Isso só se verifica com a sala montada e o sistema em funcionamento.
  2. A classe é definida por estado de ocupação. A ISO 14644-1 pede que a classe seja definida em um ou mais de três estados de ocupação 7.
  3. A velocidade do ar entra no protocolo. O Anexo 1 da UE exige justificar, no protocolo de qualificação, a velocidade do fluxo unidirecional e o local de medição 8.
  4. O processo vai do requisito ao start-up. A ISO 14644-4:2022 especifica o processo de criação da sala limpa, do requisito ao projeto, à construção e ao start-up, e vale para instalações novas, reformadas e modificadas 3.
  5. A manutenção faz parte do ciclo de vida. A mesma norma considera aspectos como a manutenção, para garantir operação satisfatória durante todo o ciclo de vida da sala 3. Em certas operações, o Anexo 1 da UE cita ainda a possível necessidade de descontaminar os sistemas HVAC e tratar o ar que sai da área limpa 8.

Por isso, vale planejar o HVAC junto com a sala desde o anteprojeto, em vez de deixar os ajustes de pressão e estanqueidade para a fase de testes.

A IN 35/2019 continua a mesma?

A Anvisa anunciou um evento para discutir a revisão da IN 35/2019 9. Antes de citar a norma em projeto ou em auditoria, confira a versão vigente.

Como a EMR faz

A EMR Construções e Instalações Industriais atua na concepção, realização, qualificação e validação de instalações de produção, dentro das Boas Práticas de Fabricação (GMP). Os setores atendidos são farmacêutico, biotecnologia, veterinário, cosméticos, sanitário, químico e hospitalar. O trabalho abrange consultoria, anteprojeto, engenharia de detalhamento, execução e gerenciamento.

Na EMR, a obra segue esta sequência:

  • consultoria, para entender o processo e a norma que a planta precisa atender;
  • anteprojeto, com layout, fluxos e estimativa de investimento;
  • engenharia, com detalhamento de civil, elétrica, mecânica e utilidades;
  • execução, com equipe própria no canteiro e a fábrica em operação;
  • gerenciamento de prazo, custo, segurança e documentação;
  • qualificação e validação das instalações de produção.

Segundo a EMR, a mesma equipe acompanha a instalação da primeira conversa ao protocolo de validação. Nas obras turn key, a empresa reúne civil, elétrica, mecânica, utilidades, automação e HVAC no mesmo contrato. Em salas limpas padrão GMP, a EMR executa divisórias especiais, forro, portas, visores e luminárias, além de pass through e acessórios em alumínio e aço inox. Também faz divisórias e forros padrão sala limpa e pisos em resina epóxi para laboratórios. Sobre pisos, veja piso epóxi industrial.

Como obras de referência com HVAC:

  • Laboratório NB3 do Instituto Butantan (2023): detalhamento de projetos, sala limpa, elétrica com subestação, linhas de utilidades, automação, HVAC e telecom.
  • Instituto Butantan, desde 2014: construção civil, elétrica de baixa e média tensão, utilidades e HVAC, automação e SPCI. Em 2021, durante a pandemia, a EMR construiu e reformou laboratórios padrão sala limpa na instituição.
  • Estúdio da TV Alesp (2020): civil, arquitetura, elétrica, sistema de incêndio, telecom e HVAC.

Para entender o que a Anvisa espera das instalações como um todo, leia boas práticas de fabricação: o que a Anvisa exige das instalações. Para ver o que a EMR executa, acesse a página de serviços.

Se você está planejando uma sala limpa nova ou a reforma de uma existente, fale com a EMR. Ajudamos a definir o escopo do HVAC junto com a obra civil, a elétrica e a qualificação, desde o anteprojeto.

Perguntas frequentes

Qual a diferença de pressão entre salas limpas?

A IN 35/2019 traz como valor de referência um diferencial de 10 a 15 pascais entre salas adjacentes de graus diferentes 2. O Anexo 1 da UE (2022) indica diferença mínima de 10 Pa, como valor guia 8. Em áreas de alto risco, onde o produto está exposto, os diferenciais merecem atenção especial 1.

Toda sala limpa usa pressão positiva?

A regra geral da IN 35/2019 é pressão positiva e fluxo de ar em relação às áreas vizinhas de grau inferior 1. Quando é preciso conter materiais como patógenos, materiais altamente tóxicos, radioativos, vírus vivos e bactérias, as recomendações de suprimento de ar e de diferenciais de pressão podem precisar ser modificadas 1. O arranjo deve ser definido no projeto, conforme o risco.

O que a ISO 14644-1 classifica?

Ela classifica a limpeza do ar pela concentração de partículas em suspensão, considerando tamanhos limite de 0,1 µm a 5 µm 6. A classe é designada por um número ISO (N), e a concentração máxima de cada tamanho vem da Tabela 1 7. Os valores da tabela são cumulativos 7.

Em quantos estados de ocupação a classe de limpeza deve ser definida?

A ISO 14644-1:2015 diz que a classe deve ser definida em um ou mais de três estados de ocupação 7. A classe é designada por um número ISO (N) 7.

A IN 35/2019 está em revisão?

A Anvisa anunciou um evento para discutir a revisão da IN 35/2019, que trata das BPF complementares a medicamentos estéreis 9. Antes de citar a norma em projeto ou em auditoria, confira a versão vigente.

Fontes

  1. Ministério da Saúde / Anvisa (BVS Saúde Legis). Instrução Normativa nº 35, de 21 de agosto de 2019
  2. LegisWeb. Instrução Normativa ANVISA/DC Nº 35 DE 21/08/2019 - Federal - LegisWeb
  3. ISO. ISO 14644-4:2022 - Part 4: Design, construction and start-up of cleanrooms and associated controlled environments
  4. Imprensa Nacional / Anvisa. RESOLUÇÃO RDC Nº 658, DE 30 DE Março DE 2022 - DOU - Imprensa Nacional
  5. Anvisa. Perguntas e Respostas - Boas Práticas de Fabricação de Medicamentos - RDC 658/2022 e suas INs
  6. ISO. ISO 14644-1:2015 - Cleanrooms and associated controlled environments — Part 1: Classification of air cleanliness by particle concentration
  7. Richardson Lab, University of California Riverside (texto da ISO 14644-1:2015). ISO 14644-1:2015 Cleanrooms and associated controlled environments — Part 1 (cópia hospedada pela UCR)
  8. Comissão Europeia. EU GMP Annex 1 - Manufacture of Sterile Medicinal Products (C(2022) 5938 final)
  9. Anvisa. Medicamentos estéreis: Anvisa realiza evento sobre revisão da IN 35/2019

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