Central de água gelada: como funciona e quando a indústria precisa
Fatos checados: 36 afirmações conferidas em 10 fontes

Central de água gelada (CAG) é a planta que produz água resfriada em chillers e a distribui por bombas e tubulações a equipamentos de climatização e de processo. Sua base é o ciclo de refrigeração, que retira calor de edificações e o rejeita ao exterior 1. A Lei 13.589/2018 define sistemas de climatização como o conjunto de instalações e processos que, por meio de equipamentos em recintos fechados, produz condições específicas de conforto e boa qualidade do ar 2. A mesma lei também se aplica a ambientes climatizados de uso restrito, como os de processos produtivos, laboratoriais e hospitalares, que devem obedecer a regulamentos específicos 2.
Como funciona uma central de água gelada?
A central de água gelada (CAG) é uma planta que resfria água e a envia por tubulação aos pontos que precisam retirar calor. Em geral, são as serpentinas das unidades de tratamento de ar e os trocadores de calor de processo. O equipamento central é o chiller.
A base física é o ciclo de refrigeração, a base termodinâmica para remover calor de edificações e rejeitá-lo ao exterior 1. Segundo um trabalho acadêmico que cita o MMA (2017), um chiller de compressão a vapor tem basicamente o motor-compressor, o condensador, o dispositivo de expansão e o evaporador 3.
O calor retirado do sistema precisa ir para algum lugar. Na CAG, a água de resfriamento retira o calor do fluido refrigerante no trocador do condensador 3. Nas plantas com água de condensação, essa água normalmente passa por uma torre de resfriamento, onde devolve o calor ao ar.
Esse ponto pesa na operação. Uma baixa vazão de água de condensação pode impactar o funcionamento do chiller 3. O circuito de água de condensação, portanto, deve ser tratado como parte do desempenho do chiller.
Quais são os componentes de uma CAG?
Uma CAG é um sistema, não um equipamento isolado. A tabela resume cada parte e o ponto de atenção que as fontes consultadas destacam.
| Componente | Função na central | Ponto de atenção |
|---|---|---|
| Chiller | Produz a água gelada. Reúne motor-compressor, condensador, dispositivo de expansão e evaporador 3 | Vazão baixa de água de condensação pode impactar o funcionamento 3 |
| Torre de resfriamento | Dissipa o calor da água de condensação | A RE 9/2003 da Anvisa prevê a limpeza e a conservação das torres de resfriamento 4 |
| Bombas do circuito secundário | Levam a água gelada à edificação ou ao processo | Em CAGs com circuito primário/secundário, são dimensionadas para vazão variável 3 |
| Tubulações | Interligam chillers, torres, bombas e consumidores | Devem ser projetadas em conjunto com a parte elétrica e a automação |
| Unidades de tratamento de ar | Recebem a água gelada para condicionar o ar | Filtros G1 na captação de ar exterior e, no mínimo, G-3 nos condicionadores de sistemas centrais 4 |
Circuito primário e secundário
Em CAGs com circuito primário/secundário, as bombas de água gelada do circuito secundário são dimensionadas com vazão variável 3. Cabe ao projeto definir como esses circuitos se dividem em cada planta.
Tubulações, elétrica e automação
Chillers, torres e bombas dependem de alimentação elétrica, quadros e controle. Em uma reforma ou ampliação de CAG, a tubulação, a parte elétrica e a automação são frentes que precisam ser projetadas em conjunto com a mecânica.
Quando a indústria precisa de uma central de água gelada?
A CAG faz sentido quando a planta tem demanda de resfriamento distribuída em vários pontos, em climatização, em processo ou nos dois. É uma decisão de engenharia, baseada em carga térmica e perfil de uso. As fontes consultadas aqui não fixam um limite de capacidade a partir do qual a CAG seja obrigatória.
Aplicações em climatização
A ABNT NBR 16401-1, que trata de projetos das instalações de ar-condicionado centrais e unitários, também se aplica a ambientes não abrangidos por normas específicas. Entre eles estão salas limpas, laboratórios, centros cirúrgicos e processos industriais 5.
A ABRAVA noticiou a entrada em vigor, desde 19 de novembro, de uma nova versão da NBR 16401, norma que regulamenta instalações de ar-condicionado em sistemas centrais e unitários 6. O trecho consultado não informa o ano, então confira a edição vigente no catálogo da ABNT antes de citá-la em projeto ou contrato.
Para salas limpas, o artigo HVAC sala limpa: filtros, pressão e fluxo de ar na prática detalha o lado do ar.
Aplicações em processo
Água gelada também alimenta trocadores de calor de processo, como reatores, sistemas de utilidades e linhas de produção que precisam de temperatura controlada. O requisito vem do processo, e a CAG é uma das formas de atendê-lo. Por isso, o levantamento das cargas de processo deve vir antes do dimensionamento da central.
Perguntas para decidir
- Quantos pontos de consumo existem e onde estão?
- A demanda varia ao longo do dia ou do ano?
- Haverá ampliação da planta no futuro?
- O que acontece com a produção se a central parar? Isso define a necessidade de redundância.
- Qual norma específica o ambiente precisa atender?
O que a lei diz sobre climatização
A Lei 13.589, de 4 de janeiro de 2018, obriga edifícios de uso público e coletivo com ar interior climatizado artificialmente a ter um PMOC (Plano de Manutenção, Operação e Controle) dos sistemas de climatização 2. Ela também se aplica a ambientes climatizados de uso restrito, como os de processos produtivos, laboratoriais e hospitalares, que devem obedecer a regulamentos específicos 2.
A lei define sistemas de climatização como o conjunto de instalações e processos que, por meio de equipamentos em recintos fechados, produz condições específicas de conforto e boa qualidade do ar 2. Se a sua central atende ambientes climatizados, vale confirmar com o responsável técnico como essa definição se aplica ao caso.
Como melhorar a eficiência energética de uma CAG?
O primeiro cuidado é olhar a planta inteira. A eficiência do chiller é apenas um dos fatores que afetam o consumo de energia de uma planta de água gelada 7.
A tabela reúne o que as fontes dizem sobre os principais pontos.
| Tema | O que a fonte diz | Cuidado |
|---|---|---|
| IPLV | Definido na AHRI 550/590, é usado por muitos fabricantes no mundo para descrever o desempenho do chiller em condição padrão de carga parcial, o que facilita a comparação 7 | Os pesos de ponderação vêm de uma média de tipos de edificação e climas de cidades dos EUA 7 |
| Velocidade variável no compressor | Um estudo experimental na Applied Energy (2022) indica que o VSD permite economia de energia de até 25% em determinados níveis de carga parcial 8 | Resultado de um estudo experimental. O ganho real depende do perfil de carga da planta |
Como usar o IPLV com critério
O IPLV ajuda a comparar chillers em uma condição padronizada 7. Seus pesos de ponderação vêm de uma média de tipos de edificação e climas de cidades dos EUA 7. Por isso, é razoável supor que o valor não represente uma operação industrial brasileira, com perfil de carga e horas de operação próprios. Trata-se de uma inferência nossa, não de um dado da fonte. Peça ao fornecedor o desempenho do equipamento nas cargas em que a sua planta realmente opera.
Onde a velocidade variável ajuda
O estudo da Applied Energy indica que o acionamento de velocidade variável (VSD) no compressor permite economia de energia de até 25% em determinados níveis de carga parcial 8. Antes de especificar, levante o perfil de carga da planta.
Que manutenção uma CAG exige?
A manutenção cobre quatro frentes: o desempenho do chiller, a higiene da torre, a filtragem do ar e a documentação.
- Vazão da água de condensação. Uma vazão baixa pode impactar o funcionamento do chiller 3. Vale monitorar a vazão para evitar perda de desempenho.
- Torre de resfriamento. Entre as medidas de correção previstas na RE 9/2003 da Anvisa estão a limpeza e a conservação das torres de resfriamento, a higienização de reservatórios e bandejas de condensado ou o tratamento contínuo 4.
- Filtragem do ar. A mesma resolução exige filtros G1 na captação de ar exterior e, no mínimo, filtros G-3 nos condicionadores de sistemas centrais 4.
- Documentação. A ABRAVA define o PMOC como o conjunto de documentos com os dados da edificação, do sistema de climatização e do responsável técnico, além dos procedimentos e rotinas de manutenção, com comprovação de que foram executados 9.
A Lei 13.589/2018 remete os padrões de qualidade do ar interior à Resolução nº 9 da Anvisa, de 16 de janeiro de 2003, e posteriores alterações, assim como às normas técnicas da ABNT 10.
Como a EMR faz
A EMR Construções e Instalações Industriais fica em Taboão da Serra (SP) e nasceu em 1987. Trabalha na concepção, realização, qualificação e validação de instalações de produção, dentro das Boas Práticas de Fabricação (GMP), para os setores farmacêutico, biotecnologia, veterinário, cosméticos, sanitário, químico e hospitalar.
A obra de referência para este tema é o Instituto Butantan, onde a EMR trabalha desde 2014, com construção civil, elétrica de baixa e média tensão, utilidades e HVAC, automação e SPCI. Em 2019, a EMR reformou e ampliou a Central de Água Gelada do instituto. O escopo incluiu tubulações de 1" a 20", elétrica de média e baixa tensão, automação e controle, chillers, torres de resfriamento e plataformas metálicas. Conheça mais em EMR no Instituto Butantan.
O que torna uma CAG viável na prática é a integração das disciplinas. Por isso, a EMR executa obras turn key, com civil, elétrica, mecânica, utilidades, automação e HVAC no mesmo contrato. Na mecânica, a EMR fabrica plataformas, pipe-racks e suportes, monta linhas em PVC, polipropileno, aço preto, galvanizado e inox, e executa tanques, equipamentos, isolamento térmico e testes hidrostáticos.
O trabalho segue as etapas da EMR: consultoria, anteprojeto, engenharia, execução com equipe própria no canteiro e com a fábrica em operação, gerenciamento e qualificação e validação. Para entender como planejar esse tipo de intervenção, leia Reforma industrial com a fábrica em operação: como planejar.
Se a sua planta precisa de uma central de água gelada nova, de uma ampliação ou de uma reforma, fale com a EMR e conte qual processo e quais ambientes a central precisa atender.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre chiller e central de água gelada?
O chiller é o equipamento que produz a água gelada. Segundo um trabalho acadêmico que cita o MMA (2017), ele reúne motor-compressor, condensador, dispositivo de expansão e evaporador 3. A central de água gelada é a planta completa, que inclui também bombas, torres e tubulações.
A NBR 16401 vale para ambientes industriais?
A parte 1 da ABNT NBR 16401, de projetos das instalações, também se aplica a ambientes não abrangidos por normas específicas, como salas limpas, laboratórios, centros cirúrgicos e processos industriais 5. A ABRAVA noticiou a entrada em vigor de uma nova versão da norma, mas o trecho consultado não informa o ano, então confira a edição vigente no catálogo da ABNT 6.
O IPLV basta para escolher um chiller?
Não. O IPLV, definido na AHRI 550/590, é usado por muitos fabricantes para descrever o desempenho em condição padrão de carga parcial e facilita a comparação 7. Seus pesos vêm de uma média de edificações e climas de cidades dos EUA 7, o que sugere cautela ao compará-lo com uma operação industrial brasileira. Além disso, a eficiência do chiller é só um dos fatores do consumo total da planta 7.
Fontes
- Lawrence Berkeley National Laboratory / Energy Design Resources. Design Guidelines – CoolTools Chilled Water Plant
- Câmara dos Deputados / Presidência da República. Lei nº 13.589, de 4 de janeiro de 2018 (publicação original)
- Repositório Kroton/Cogna (trabalho acadêmico). Estrutura de uma central de água gelada e sua aplicação
- Anvisa. Resolução-RE nº 09, de 16 de janeiro de 2003
- Target Normas / ABNT. ABNT NBR 16401-1 – Instalações de condicionamento de ar – Sistemas centrais e unitários – Parte 1: Projetos das instalações
- ABRAVA. Norma que regulamenta instalações de ar-condicionado em sistemas centrais e unitários, NBR 16401, foi atualizada
- EMSD – Governo de Hong Kong. Report on Application of High Efficiency Chillers
- Applied Energy (via RePEc/IDEAS). Experimental analysis of ON/OFF and variable speed drive controlled industrial chiller towards energy efficient operation
- ABRAVA. PMOC – Perguntas e Respostas – ABRAVA
- Planalto – Presidência da República. Lei nº 13.589, de 4 de janeiro de 2018
Como produzimos e checamos: este artigo foi escrito com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas. Cada dado foi conferido contra o trecho original da fonte citada, aberta e lida automaticamente, e revisado por uma segunda checagem independente antes da publicação. Encontrou um erro? Escreva para luis@emrconstrucoes.com.br.

