Água purificada farmacêutica: classes de água, WFI e exigências

· 8 min de leitura · por EMR Construções

Fatos checados: 40 afirmações conferidas em 5 fontes

Corredor técnico com tubulações isoladas e leitos de cabos
Resposta rápida

Água purificada farmacêutica é a água potável que passou por tratamento para retirar contaminantes e atender aos requisitos da monografia da Farmacopeia Brasileira 1. Ela serve a medicamentos de uso não parenteral que não exijam água estéril nem apirogênica 1. Já a água para injetáveis (WFI) é o insumo de medicamentos parenterais 2, com limites mais restritivos de contagem microbiana 13.

Quem projeta ou reforma uma planta farmacêutica precisa decidir cedo que água cada processo usa. Essa escolha define o tipo de gerador, os tanques, a tubulação e o que será qualificado. Este artigo organiza as classes de água, os limites da Farmacopeia Brasileira (FB) 6ª edição e o que a RDC nº 658/2022 diz sobre as tubulações.

Quais são as classes de água na indústria farmacêutica?

Três classes aparecem na rotina de uma planta: água potável, água purificada e água para injetáveis (WFI, do inglês water for injection).

  • Água potável: é a matéria-prima da água purificada 1.
  • Água purificada: é a água potável que passou por algum tratamento para retirar os possíveis contaminantes e atender aos requisitos de pureza da monografia 1.
  • Água para injetáveis (WFI): é o insumo usado na preparação de medicamentos para administração parenteral, como veículo ou na solubilização e diluição de substâncias ou preparações 2.

A tabela compara as duas classes tratadas pela FB 6 neste artigo.

Aspecto Água purificada Água para injetáveis (WFI)
Definição Água potável tratada para retirar contaminantes e atender à monografia 1 Insumo para medicamentos parenterais, como veículo ou na solubilização e diluição 2
Obtenção Destilação, troca iônica, osmose reversa ou outro processo adequado 1 Destilação em equipamento com partes em contato de vidro neutro, quartzo ou outro material apropriado; ou processo equivalente ou superior à destilação 3
Uso típico Medicamentos que não requeiram água estéril nem apirogênica, de uso não parenteral 1 Medicamentos de administração parenteral 2
Bactérias heterotróficas No máximo 100 UFC/mL 1 No máximo 10 UFC/100 mL 3

A diferença de destino é direta. A purificada atende ao uso não parenteral. A WFI entra na preparação de produtos parenterais.

O que a Farmacopeia Brasileira exige da água purificada?

A monografia da FB 6 define a água purificada e fixa limites para alguns ensaios. Os principais são estes:

  • Carbono orgânico total (COT): no máximo 0,50 mg/L. O ensaio pode substituir, alternativamente, o teste de substâncias oxidáveis 1.
  • Condutividade: no máximo 1,3 µS/cm a 25,0 °C. O usuário deve definir o limite adequado à aplicação específica, conforme o capítulo 8.5 (Água para uso farmacêutico) 1.
  • Bactérias heterotróficas: no máximo 100 UFC/mL 1.

Quem define o limite de condutividade?

A monografia fixa o máximo de 1,3 µS/cm a 25,0 °C. Cabe ao usuário definir o limite máximo adequado para a aplicação específica, conforme descrito no capítulo 8.5, Água para uso farmacêutico 1.

O limite de 100 UFC/mL basta como meta de projeto?

Não necessariamente. Mesmo com a contagem máxima de 100 UFC/mL na monografia, cada instalação deve estabelecer seu limite de alerta ou de ação, caso as características específicas de uso sejam mais restritivas 4. Por isso, vale partir do uso da água, e não só do número da monografia.

A monografia também admite mais de um processo de obtenção: destilação, troca iônica, osmose reversa ou outro processo adequado, sem adição de substâncias dissolvidas 1.

O que muda na água para injetáveis (WFI)?

A WFI tem limite microbiológico mais restritivo que a água purificada 13 e exige monitoramento da produção por procedimentos validados 3.

Como a WFI é obtida?

A FB 6 descreve a WFI como obtida por destilação da água adequadamente tratada, em equipamento cujas partes em contato com a água são de vidro neutro, quartzo ou outro material apropriado. Ela também pode ser obtida por processo equivalente ou superior à destilação na remoção de contaminantes químicos, micro-organismos e endotoxinas bacterianas 3.

Quais parâmetros são monitorados?

A monografia exige que a produção seja monitorada, por procedimentos validados, quanto a quatro parâmetros 3:

  1. condutividade elétrica;
  2. carbono orgânico total;
  3. endotoxinas;
  4. contagem microbiana.

Quais são os limites de endotoxinas e de micro-organismos?

  • Endotoxinas bacterianas: no máximo 0,25 UE/mL 3.
  • Bactérias heterotróficas: no máximo 10 UFC/100 mL 3.

O limite microbiológico da WFI é bem mais restritivo que o da água purificada, que é de 100 UFC/mL 31. A água esterilizada para injeção também deve cumprir o teste de esterilidade 3.

Como armazenar e distribuir a água com recirculação?

A FB 6 menciona recirculação ao tratar da água esterilizada para injeção. Segundo a monografia, essa água é a WFI que, após esterilização, foi armazenada em recipientes inertes, como o aço inox 316L polido, mantidos fechados, a 80 °C a 85 °C e sob recirculação, por no máximo 24 horas 3.

O trecho vale para a água esterilizada para injeção. Ele não define como projetar a distribuição de qualquer sistema de água. Dimensionamento, materiais e rotina de uso dependem do projeto e da validação de cada planta.

O que a RDC 658/2022 diz sobre as tubulações?

A RDC nº 658, de 30 de março de 2022, adota as diretrizes gerais de Boas Práticas de Fabricação de Medicamentos do PIC/S como requisitos mínimos na fabricação de medicamentos 5. Sobre as tubulações de água, o texto estabelece que a tubulação de água purificada e de água para injetáveis, e, se for o caso, de qualquer outro tipo de água, deve ser sanitizada conforme procedimentos escritos. Esses procedimentos devem detalhar os limites de contaminação microbiológica e as medidas a adotar 5.

A mesma resolução menciona a situação da qualificação de equipamentos e utilidades relevantes, por exemplo HVAC, água e sistemas de gás comprimido 5. Para entender a etapa de qualificação, veja o artigo sobre qualificação de instalações IQ e OQ.

O que o projeto precisa fechar antes da obra?

O projeto deve responder a estas perguntas antes de a tubulação ser fabricada:

  • Qual água cada ponto de uso exige: purificada ou WFI?
  • Qual processo de obtenção será adotado, entre os admitidos pela monografia 13?
  • Quais limites de alerta e de ação a instalação adotará 4?
  • Qual procedimento escrito de sanitização será aplicado à tubulação 5?
  • Como será acompanhada a situação da qualificação da água e das demais utilidades 5?

A qualidade da execução da tubulação em inox também pesa nessas respostas. O artigo sobre solda orbital em inox trata desse ponto.

Como a EMR faz

A EMR Construções e Instalações Industriais fica em Taboão da Serra (SP) e nasceu em 1987, em Resende (RJ). Segundo a EMR, ela atua na concepção, realização, qualificação e validação de instalações de produção dentro das Boas Práticas de Fabricação (GMP), para os setores farmacêutico, biotecnologia, veterinário, cosméticos, sanitário, químico e hospitalar.

No escopo de utilidades, a EMR informa estes serviços:

  • tubulações específicas em aço inoxidável e alumínio, tanques de armazenamento e distribuição, testes hidrostáticos e isolamento térmico, dentro dos serviços de salas limpas padrão GMP;
  • linhas em PVC, polipropileno, aço preto, galvanizado e inox, além de tanques, equipamentos, isolamento térmico e testes hidrostáticos, nos serviços de mecânica e tubulações;
  • obras turn key, em que civil, elétrica, mecânica, utilidades, automação e HVAC ficam no mesmo contrato, do detalhamento de projetos à entrega final.

Entre as obras de referência, a EMR cita a Novartis (2000, Taboão da Serra), com sala limpa e GMP, piso epóxi e instalações em inox com solda orbital. No Instituto Butantan, onde atua desde 2014, a EMR informa trabalhos de construção civil, elétrica de baixa e média tensão, utilidades e HVAC, automação e SPCI. Em 2023, entregou ali o laboratório NB3, com linhas de utilidades, sala limpa, automação e HVAC.

Segundo a EMR, a obra segue etapas definidas: consultoria, anteprojeto, engenharia, execução com equipe própria e a fábrica em operação, gerenciamento e qualificação e validação das instalações de produção. A mesma equipe acompanha a instalação da primeira conversa ao protocolo de validação.

Se você está definindo ou reformando um sistema de água purificada ou de WFI, fale com a EMR pelo formulário e canais de contato. Leve o processo, o uso da água em cada ponto e a norma que a planta precisa atender. Esses três itens bastam para começar a conversa.

Perguntas frequentes

Qual é o limite de condutividade da água purificada na Farmacopeia Brasileira?

A monografia da FB 6 fixa no máximo 1,3 µS/cm a 25,0 °C. O usuário deve definir o limite máximo adequado à aplicação específica, conforme o capítulo 8.5 (Água para uso farmacêutico) 1.

Qual é o limite de endotoxinas da água para injetáveis?

A FB 6 estabelece no máximo 0,25 UE/mL de endotoxinas bacterianas para a água para injetáveis 3. A produção deve ser monitorada, por procedimentos validados, quanto a condutividade elétrica, carbono orgânico total, endotoxinas e contagem microbiana 3.

Por quanto tempo a água esterilizada para injeção pode ficar armazenada?

Pela FB 6, a água esterilizada para injeção é armazenada em recipientes inertes, como o aço inox 316L polido, mantidos fechados, a 80 °C a 85 °C e sob recirculação, por no máximo 24 horas 3.

A tubulação de água purificada precisa de sanitização?

Sim. A RDC 658/2022 determina que a tubulação de água purificada e de água para injetáveis seja sanitizada de acordo com procedimentos escritos. Esses procedimentos detalham os limites de contaminação microbiológica e as medidas a adotar 5.

O limite de 100 UFC/mL é o limite de ação da minha planta?

Não necessariamente. Esse é o máximo da monografia para bactérias heterotróficas na água purificada 1. Cada instalação deve estabelecer seu limite de alerta ou de ação, caso as características específicas de uso sejam mais restritivas 4.

Fontes

  1. Anvisa – Biblioteca Digital / Farmacopeia Brasileira. Farmacopeia Brasileira, 6ª edição – Água purificada (IF032-00)
  2. Anvisa – Farmacopeia Brasileira. Farmacopeia Brasileira, 6ª edição, Volume 1 – Água para injetáveis
  3. Anvisa – Biblioteca Digital / Farmacopeia Brasileira. Farmacopeia Brasileira, 6ª edição – Água para injetáveis (IF031-00)
  4. Anfarmag. Especificações de potabilidade e farmacopeicas da água utilizada na manipulação
  5. Diário Oficial da União / Imprensa Nacional. Resolução RDC nº 658, de 30 de março de 2022

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